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Teste: Skoda Kodiaq

7/10
€ 47.645
04 Ago 2017
teste-skoda-kodiaq

O Skoda Kodiaq surge como o primeiro verdadeiro SUV da marca checa. Na verdade o Yeti nunca conseguiu ter esse papel e por isso a responsabilidade do Kodiaq é acrescida. A marca conseguiu ser a primeira do grupo VW a apresentar uma versão com sete lugares. A plataforma MQB que partilha com o Tiguan na extensão A2, num conceito modular que tantos modelos consegue abraçar. Para o Kodiaq esta plataforma é sinónimo não apenas da versatilidade acrescida oferecida pelos sete lugares mas também por um comportamento dinâmico que se pretende de bom nível. A associação do nome Kodiaq ao urso da ilha do Ártico irá acompanhar a vida do modelo. A robustez, a força e o impacto visual são um garante que qualquer menção ao “urso” não será de todo descabida. A marca assume isso até com uma certa irreverência bem recebida pelos compradores. Aliás, se há marca no grupo onde a irreverência é uma constante, a Skoda é uma delas.

Com 4,7 metros de comprimento o Skoda Kodiaq não é propriamente um modelo fácil de “esconder” na selva da cidade, ou em qualquer outra selva. Para ter uma ideia são mais 5 centímetros do que por exemplo o Peugeot 5008 que ensaiamos na edição passada. Ainda assim, com uma distância entre eixos de 2,791 milimetros o Kodiaq oferece um bom espaço a bordo, mas não se pense que o acesso aos lugares traseiros é algo de simples e prático. As crianças não se importam e é vê-las a escalar verdadeiramente pelo carro e lutarem entre si para ver quem se senta nesses lugares. Mas acima de 1,30 metro de altura já deverão começar a lutar no sentido inverso, até para preservarem a integridade das articulações e dos joelhos. Nada disto é um defeito exclusivo do Kodiaq, mas sim um “mal” necessário a veículos de sete lugares deste tipo. A capacidade da bagageira oscila entre os 270 escassos litros (na configuração de sete lugares) e os 560 litros com apenas 5 lugares. É verdade que há carrinhas (até Skoda, bem entendido) que apresentam valores superiores, mas não terão esta versatilidade. Além disso o banco traseiro pode ainda deslizar numa calha até 180 milímetros tornando o espaço para pernas maior se assim pretender ou jogar com o tipo de passageiros (se for tudo crianças torna-se mais simples).

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A primeira unidade que nos chega às mãos recorre ao motor 2 litros TDI com 150 cavalos e vem com caixa DSG de sete velocidades, num nível de equipamento Style. Apenas com tração dianteira é um garante de pagamento Classe 1 nas malfadadas portagens (desde que tenha Via Verde que as senhoras da Vasco da Gama não perdoam). Se quiser tração integral, terá que ter caixa de velocidades manual e pagar mais cerca de 2.500 euros, mas vê os consumos aumentarem e, claro, passa a pagar Classe 2. Não quer pois não?

Por falar em custos arrumo já a questão do preço da unidade. Com uma bateria de extras interessante a viatura ensaiada alcança os 47.645 euros, um valor muito interessante quando colocamos na balança todas as valias em termos de versatilidade e o caráter prático. Se pergunta para que raio precisa de mais dois lugares digo-lhe que ficará rapidamente viciado no facto de poder contar com eles sempre que quiser. Ah, e já agora se fartar disso pode sempre retirar os bancos traseiros. O Kodiaq é um exemplo daquilo que a Skoda pensa para todos os seus modelos em tudo o que respeita à atenção com o utilizador. A isso não é alheia a presença de mimos desconhecidos de qualquer um dos seus concorrentes como é o caso dos dois guarda-chuva nas portas, um porta-luvas duplo, um curioso raspador junto ao bocal de combustível (serve para retirar o gelo ou geada do para-brisas), gaveta sob o banco do pendura e uma prática lanterna portátil guardada na lateral da bagageira.

É tempo de nos pormos a andar. Tudo arrumado a bordo. O aproveitamento do espaço e o facto de ter sete lugares provoca um sorriso na multidão que consegui encaixar lá dentro. Os miúdos estão divertidíssimos e acabo por pensar como é possível que tenham descoberto a tomada USB junto à segunda fila antes sequer de eu saber que existia.

O motor 2 litros com 150 cavalos não é propriamente para grandes entusiasmos, em particular com o carro cheio. É antes, isso sim, uma unidade que prima pela suavidade de funcionamento (especialmente com a caixa DSG). Desconfio que ninguém estará à espera de prestações alucinantes. A marca anuncia 10,3 segundos dos 0 aos 100 km/h e velocidade máxima de 195 km/h. Nada que o proprietário de um Kodiaq esteja verdadeiramente preocupado seguramente. Ponto positivo isso sim para o conforto da suspensão e o consumo. Com uma média final de 6,7 litros/100km o SUV checo surpreende pela forma como engole quilómetros sem grandes preocupações. As jantes de liga leve de 18 polegadas não comprometem o conforto e dão-lhe um ar mais musculado. Aliás, a estética, em particular na dianteira, foi de modo geral elogiada por todos quantos se cruzaram com ele. E houve unanimidade também na reação menos positiva à secção traseira.

A pedido dos utentes a bordo acabo por levar o Kodiaq até um percurso de terra. Nada de muito especial porque a versão 4x2 tem 188 milímetros de altura ao solo e os ângulos de ataque são de 19,1 graus e 15,6 graus, respetivamente para ataque e saída. Traduzindo, convém não entrar em grandes aventuras. Ainda assim pode usar o sistema de quatro câmaras Area View para ter uma visão quase a 360 graus do que se passa à sua volta e, dessa forma, evitar riscar já as jantes em alguma pedra mal posicionada no trilho.

O Skoda Kodiaq é, sem dúvida, uma das propostas mais esperadas dos últimos tempos e os seus atributos não desiludem. É um facto que a marca em Portugal não tem ainda a projeção que consegue já ter em outros países onde até cresce a dois dígitos, mas é por eventual preconceito, só pode! Com este Kodiaq estão reunidas, sem margem para dúvida, todas as condições para uma excelente carreira comercial.

Ah, e quanto ao urso da imagem, não faz parte do equipamento base. Lamento.

 

Texto: Paulo Passarinho (ed. #73)

 

Ficha Técnica:

1.968cc, 4 cil., tração dianteira, 150 cv, 340 Nm

4,9 l/100km, 131g/km CO2

0–100km/h em 10,3s., 198km/h

1.710kg

 

 

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